Lar Economia Despedida de Garrincha do futebol reuniu milhares de torcedores no Maracanã, em 1973

Despedida de Garrincha do futebol reuniu milhares de torcedores no Maracanã, em 1973

por Thiago Uberreich
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O ‘Jogo da Gratidão’, como ficou conhecido, foi ofuscado pela genialidade do Rei Pelé

ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

Mané Garrincha em seu jogo de despedida, chamado de Jogo da Gratidão, no Maracanã

Era noite de um domingo qualquer de 1991 e eu estava assistindo à TV Gazeta. Terminou o “Mesa Redonda”, apresentado pelo saudoso Roberto Avallone, e a emissora paulista começou a exibir o videoteipe de um jogo antigo da seleção brasileira. Pela primeira vez, vi Garrincha em campo! Com a narração de Peirão de Castro, a Gazeta reexibiu o “jogo da gratidão”, partida organizada para arrecadar recursos a Mané, que enfrentava dificuldades financeiras. O Maracanã estava lotado (150 mil torcedores) naquele dia 19 de dezembro de 1973 para o jogo entre os campeões de 1970 e um combinado de estrangeiros. 

Foi a última vez em que Pelé e Garrincha, dupla que encantou o mundo em 1958, atuaram juntos pelo Brasil e jamais perderam: 40 jogos, 36 vitórias e 4 empates. Aos 40 anos, Mané não estava bem fisicamente, mas fez boas jogadas pela ponta direita. Em um lance, passou a bola entre as pernas de um adversário. Aos 30 minutos do primeiro tempo, o árbitro Armando Marques interrompeu a partida para que Garrincha desse a volta olímpica: era a despedida oficial do “gênio das pernas tortas”, daquele que virou a “alegria do povo”. Mané jogou as chuteiras para os torcedores que estavam nas gerais do Maracanã.

A seleção brasileira, campeã de 1970, comandada por Zagallo, jogou com Félix (Leão); Carlos Alberto (Zé Maria), Brito (Luís Pereira), Piazza e Everaldo (Marinho Chagas); Clodoaldo (Zé Carlos) e Rivellino (Manfrini); Garrincha (Zequinha), Jairzinho (André), Pelé (Ademir da Guia) e Paulo Cézar Caju (Mário Sérgio). O Brasil saiu perdendo com gol do argentino Brindisi. Ainda no primeiro tempo, Pelé, que teve uma atuação espetacular naquela noite, empatou a partida. O Rei driblou dois adversários, invadiu a área e tocou na saída do goleiro argentino Andrada que, em 1969, tinha sofrido o milésimo gol dele, também no Maracanã.

Na etapa final, Luis Pereira virou o jogo e fechou o placar: 2 a 1. Cerca de 160 mil dólares foram arrecadados nas bilheterias e, com a quantia, Garrincha comprou imóveis para a família. No texto “Driblar, Eis o Mistério de Garrincha”, Armando Nogueira retrata com muita poesia o futebol do “gênio das pernas tortas”: 

Driblar, tendo pernas tão tortas
e driblar como ninguém
eis um mistério de Garrincha que eu não ouso explicar…
Driblar, tendo uma perna mais curta que a outra
e driblar como ninguém
eis um mistério de Garrincha que tu não ousas explicar…
Driblar, tendo um desvio na espinha dorsal
e driblar como ninguém
eis um mistério de Garrincha que ele não ousa explicar…
Driblar, quase sempre para o mesmo lado,
repetindo o gesto mil vezes para mil vezes afirmar-se negando o próprio conceito de drible
eis um mistério de Garrincha que não ousais explicar…
Driblar
e driblar com tanta graça e naturalidade
eis um mistério de Garrincha que só Deus pode explicar.

*Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião da Jovem Pan.

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